Chamada de Trabalhos

 

Memória Cultural, Imagem e Arquivo

Fixando o seu olhar em suportes de reconstrução da memória como coleções, arquivos e atlas, o estudo da memória cultural está cada vez mais centrado no caráter conflituante, fraturado, sobreposto, dinâmico e híbrido dos processos de lembrança, onde as distinções entre a memória viva e a memória artificial, a memória coletiva e a memória individual, o esquecimento e a recordação, se têm vindo a complexificar progressivamente. Esta recente ênfase na descontinuidade, na diferença e na mobilidade da memória cultural, que se pode exemplificar com o renovado entusiasmo suscitado por trabalhos de arquivo como o inacabado atlas Mnemosyne de Aby Warburg, torna o estudo dos meios de memória uma tarefa urgente.

Mediante uma frenética aceleração histórica, social, tecnológica e cultural, a contemporaneidade é marcada por uma obsessão pelos registos, pelos traços e pelos vestígios, conforme o filósofo francês Jacques Derrida diagnosticou nos anos 90 com a célebre ideia de “febre de arquivo”.  A proliferação de meios de comunicação móveis e ubíquos, que funcionam como verdadeiras próteses da nossa memória e do nosso esquecimento, é ainda atualmente acompanhada pela propagação de redes sociais como o YouTube, o Twitter e o Facebook, gerando comunidades de memória transnacionais e transculturais. Uma tendência global para a musealização e a patrimonialização dos mais diversos objetos culturais e experiências sociais, é hoje acompanhada pela transferência dos mesmos para poderosas bases de dados, bancos de imagens, plataformas de gestão e tratamento de informação. Finalmente, as práticas de coleção e as manias de acumulação, que são manifestas quer no quotidiano de produtores culturais anónimos, quer nos recursos estéticos da arte moderna e contemporânea, são igualmente exemplares desta compulsão arquivística.

Os suportes, as tecnologias e os dispositivos, com os quais a lembrança humana esteve sempre intimamente ligada, correspondem a espaços de reconstrução de memória. Ora, desde a generalização das técnicas de reprodução mecânicas até à disseminação das tecnologias digitais, pensar o papel dos média na reconstrução da memória pessoal e coletiva nas sociedades contemporâneas tornou-se hoje ainda mais urgente. Num tempo em que conforme já diagnosticava Walter Benjamin no início do séc. XX, rareia a capacidade de contar histórias e de passar lembranças de geração para geração, o estudo dos arquivos enquanto tecnologias de transformação da memória adquire uma especial relevância.

O II Encontro de Cultura Visual procura explorar o papel dos média e dos arquivos materiais, textuais, fotográficos, audiovisuais, digitais, etc., na reconstrução da memória. Este encontro destina-se, de um modo mais geral, a reunir os investigadores que, em diferentes áreas disciplinares e fases, se ocupam da memória, das imagens e dos arquivos, promovendo a troca de experiências e a partilha de projetos neste domínio.

Instruções para a submissão de propostas de comunicação

Para participar neste encontro, envie um resumo de até 300 palavras sobre a investigação que se encontra a desenvolver e uma breve biografia de cerca de 150 palavras para a comissão organizadora: 2encontroculturavisual@gmail.com.

 

Datas Importantes

 

Fecho da Chamada de Trabalhos:  20 de julho de 2017

Notificação sobre a aceitação das comunicações: 30 de julho de 2017

 

Línguas: Português, Inglês, Espanhol, Francês.

 

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